Arquivo do mês: junho 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte

Por Matheus Saboia

Impossível ser fã de Harry Potter e não se empolgar com as cenas desse trailer. Ao que parece, o último capítulo da saga nos reserva boas surpresas.

Só nos resta aguardar…

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Invasões Bárbaras

Por Daniel Senos

‘’Invasões Bárbaras’’ é o tipo de filme que conquista através de suas personagens bastante humanas o nosso afeto. Com um roteiro bonito, em que o Denys Arcand aborda temas polêmicos como política e religião e até eutanásia. O filme flui em meio a grandes atuações que por muitas vezes provocam lágrimas nos olhos, aliadas à poderosa história desenvolvida pelo diretor/roteirista.

Rémy (Rémy Girard) é um professor de faculdade que está com um câncer terminal e encontra-se internado em um hospital público, no Canadá. Sofre com os problemas da infraestrutura do local, precárias e mostrada com leveza pela câmera esperta de Denis. Sebastien (Stéphane Rousseau) vai até o hospital ver seu pai, com quem possuía certas desavenças e, após trocarem ofensas fará de tudo para oferecer conforto a seu pai. Rèmy ainda começará um tratamento ilegal com heroína, aconselhado por uma amigo de Sebastien e que é ministrada por Nathalie ( Marie-Josée Croze ), que ficaria responsável pelas aplicações diárias para amenizar a dor nesses últimos momentos.

Mais tarde Rèmy encontrará com seus amigos e duas de suas amantes no passado. Um tema interessante colocado é a importância dos laços fraternos para o ser humano. O diretor deixa isso claro quando faz questão de mostrar todos os amigos reunidos no quarto de Rémy, compartilhando experiências e relembrando fatos passados, numa grande roda. Após, a personagem principal ainda os levará a uma casa perto de um lago, onde decide ficar para passar os seus últimos dias do lado das pessoas que escolheu para compartilhar os seus últimos momentos.

E temos mais um tema interessante que é abordado a essa altura, que é justamente a questão de se o ser humano deve escolher quando e onde irá morrer como fez Rémy no filme. Tratado de forma belíssima, Rémy se emociona com seus amigos numa noite anterior, mostra-se assustado e com medo do que está por vir até que, finalmente, Nathalie lhe permite cumprir sua vontade através de uma dose letal de heroína.

Nathalie e Sebastien mostram-se muito parecidos em um aspecto: os dois parecem acomodados de alguma forma em suas respectivas posições. O primeiro como economista de sucesso, e a segunda como administradora de seu próprio vício. Ambos são personagens bastante interessantes, que se aproximam discretamente talvez por enxergarem uma possibilidade de quebrar esse comodismo mostrado em discursos e atitudes aparentemente seguras.

As personagens ainda abordam temas políticos com humor (sobre os ‘’ismos’’ que eles já foram durante a vida) ou mesmo em um momento, Rèmy vocifera com a freira contra a religião, disparando opiniões polêmicas e que merecem seu espaço para serem discutidas. Ou mesmo em conversas no hospital, quando começam a conversar e as personagens apresentam discursos conflitantes, mas de forma leve e não-planfetária. De forma envolvente e bastante sensível (principalmente por parte dos atores), o filme cativa e emociona, levando-nos a pensar sobre questões diversas, como a efemeridade e o significado do que fazemos, a morte e as escolhas que fazemos em nossas vidas.

Nota: 8

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Laranja Mecânica

Por Daniel Senos

‘’It’s a stinking world because there’s no law and order any more. It’s a stinking world because it lets the young get onto the old like you done. It’s no world for an old man any more. What sort of a world is it at all? Men on the moon and men spinning around the earth and there’s not no attention paid to earthly law and order no more.’’

Logo nas primeiras cenas somos introduzidos a uma nova realidade: um vocabulário extremamente esquisito, leite ‘’batizado’’ e uma estética futurista típica do Kubrick dão o tom dessa obra-prima polêmica e incrivelmente atual. A ultraviolência (outra das palavras usadas no idioma falado pelas personagens do filme) é abordada de uma forma peculiar, como uma forte crítica ao egoísmo humano e muito mais.

Alex Delarge lidera uma gangue de jovens que fazem tudo o que vier na cabeça, sem nenhuma restrição ética ou moral, pensando na própria satisfação e prazer. A diversão acaba quando a personagem de Malcolm Mcdowell, que é preso pela polícia e submetido a um método inovador que supostamente curaria a pessoa, deixando-a incapaz de praticar qualquer ato maligno.

Kubrick brilha ao levantar questões polêmicas tanto em relação à sociedade como a forma de tratamento usada para punir e ‘’recuperar’’ os malfeitores que perturbam a paz. A visão da sociedade futurista é pessimista, com jovens egoístas e sem nenhum senso humanitário, uma estrutura familiar deteriorada e incapaz de lidar com os problemas de um filho. Por outro lado, temos a visão das entidades governamentais e políticas igualmente destruídas, sem capacidade de reeducar os detentos, recorrendo a métodos experimentais que só acentuam mais a falta de uma ética da realidade moderna do filme.

O mais impressionante é como o filme se mostra atual, mesmo tendo seus quase quarenta anos de existência. Na realidade brasileira, vemos um sistema penitenciário falido, que funciona como um ensino superior para os detentos, que se tornam verdadeiros criminosos (só não tiram diploma e nem possuem reconhecimento do MEC). A violência da sociedade do filme pode ser equiparada a vivida pelo brasileiro, com a deteriorização dos valores éticos da nossa sociedade, com casos de agressão a mendigos, a pessoas alheias em saídas de festas e por aí vai (ultraviolência?).

Como o filme possui um foco central na história e no roteiro, apenas a atuação de Malcolm Mcdowell se destaca. O olhar intimidador no início do filme, a alternância de fases da personagem (antes de ser preso, em sua ‘’melhor forma’’; preso, quando se mostra submisso e acuado; solto na sociedade, indefeso) mostra uma atuação intimidadora e encantadora. Até o modo em que fala tem suas nuances, o que deixa o espectador assustados em algumas cenas e dá um tom único a trama.

O cenário e a trilha sonora também são únicos, sendo o primeiro uma das marcas registradas do diretor. Cores extravagantes e designs arrojados, Kubrick constrói uma visão bastante interessante do futuro, em perfeita harmonia com a trilha sonora clássica, dando um toque especial à história. Uma versão fabulosa de ‘’Singing in the Rain’’ é interpretada por Alex Delarge é concebida, talvez uma das interpretações mais anárquicas desse grande clássico.

Sequências, como a cena do sexo a três e a ‘’lição’’ do querido narrador em seus amigos ao som de Beethoven são memoráveis, mais uma vez mostrando todo o talento e ambição de Kubrick. Cada cena do filme parece calculada com uma precisão matemática pelo talentoso diretor, que com um orçamento baixo realizou uma obra-prima memorável. Aos que entendem além da violência e crueldade do filme, esta é uma obra-prima da sétima arte, uma forte crítica ao rumo que a sociedade vem tomando, um estudo sobre aonde a agressividade do ser humano pode chegar sem os limites éticos. Fascinante!

Nota: 10

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Tartarugas Podem Voar

Por Daniel Senos

A obra conduzida pelo cineasta Bahman Ghobadi consegue emocionar pela sensibilidade com que é conduzida e pela força do roteiro. A produção nos mostra todo o sofrimento de uma tribo curda, que sofre sob o controle dos fervorosos seguidores de Sadam Hussein e aguardam ansiosos a invasão norte-americana. O local é bastante precário, as moradias são envoltas de sujeira e sucatas de equipamentos de alta tecnologia (um contraste interessante, entre o miserável e a comodidade que os artigos tecnológicos proporcionam).

Temos a presença de um grande grupo de crianças, que são o destaque do filme, já que a trama toda se passa com eles. Satélite (ou como falam os habitantes da tribo, Sateláite) é uma espécie de líder de todos os pequenos habitantes, um menino perspicaz que está à frente do grupo e é responsável pela instalação de antenas.

O interessante é que Satélite é visto como um líder para toda a tribo, já que é o único que pode possibilitar o acesso a informações sobre o mundo e principalmente sobre a guerra. Os verdadeiros líderes são bastante ultrapassados, mal sabendo o que é Estados Unidos ou quem é George W. Bush e assim se mantém alienados. As crianças vêem no garoto líder um exemplo de força para continuar sobrevivendo, e conseguem dinheiro a partir do trabalho nos campos minados, onde recolhem minas para vender no mercado negro.

As crianças ali possuem uma vivência de pessoas adultas, devido às atrocidades que presenciaram: muitos deles tiveram suas famílias mortas por soldados de Hussein, outras crianças foram mutiladas por minas terrestres. Ainda existe uma menina que teve a família assassinada, foi estuprada e deu a luz a um filho antes de ter 15 anos, com o qual possui uma relação de amor e ódio. São esses absurdos que são denunciados pela obra do cineasta Bahman.

A questão da garota é bastante abordada durante o filme, e uma das que mais comove. Bem desenvolvida e explorada, os conflitos internos que a garota vivencia são de emocionar, como pensa em se suicidar no lago, ou mesmo as tentativas de abandonar o seu próprio filho. Este, fruto de uma relação precoce e indesejável, é visto como uma recordação dolorosa tanto de seu passado como a perda de sua inocência de uma forma abrupta e muito antes do desejado. A menina é transformada em uma adulta antes de completar seus quinze anos, e o diretor sabe conduzir de uma forma sem igual esse delicado ponto.

As crianças são diariamente expostas ao medo e a tensão de desarmar minas terrestres, muitos deles são mutilados, como o garoto que não possui os dois braços, fazendo o trabalho com a boca (outra cena incrível, diga-se de passagem). Satélite é visto como um porto seguro de todos aqueles garotos, que o respeitam e obedecem as suas ordens sem pestanejar. O garoto líder e suas idéias e bugigangas guiam os outros meninos para que jamais as tartarugas voem de novo, e talvez possam até lhe garantir segurança em algum futuro próximo. Afinal, a esperança é sempre a última que se esvai, não é?

Nota: 8

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