Arquivo do mês: setembro 2010

“Better Days”

por Matheus Saboia

Desde que assisti Into the Wild e conheci a maravilhosa trilha composta por Eddie Vedder para o filme, virei fã do músico. Essa semana descobri que ele fez uma canção para o ainda inédito “Comer, Rezar e Amar”, estrelado por Julia Roberts.

Não sei quanto ao filme, mas a música é excelente. Vale uma conferida!

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Seven

Por Matheus Saboia

O ano de 1995 foi, sem sombra de dúvidas, um dos melhores da década de 90 no que diz respeito à produção cinematográfica. Temos inúmeros exemplos: a animação “Toy Story”, os policiais “Os Suspeitos” e “Fogo contra Fogo”, o drama “As Pontes de Madison”, o inesquecível romance “Antes do Amanhecer”, dentre outras obras relevantes. Além disso, o Cinema testemunhou o nascimento de um dos grandes diretores da nova geração, que nesse mesmo ano lançou um dos filmes mais cultuados da década. O nome do diretor é David Fincher e o seu filme, objeto da crítica,  chama-se “Seven”.

A trama é centrada numa série de assassinatos executados por um serial killer que parece escolher suas vítimas, tendo como base os sete pecados capitais. Para solucionar o caso, dois detetives são chamados. O primeiro deles – det. Sommerset, interpretado por Morgan Freeman – é um homem extremamente amargurado com o grau de violência das sociedades. Dono de uma visão bastante descrente, tudo que esse detetive quer é a aposentadoria, pois acredita que o seu trabalho é incapaz de freiar as atrocidades cometidas pelo ser humano. Por outro lado,o jovem det. Mills (Brad Pitt), recém chegado na metrópole, apresenta uma visão de mundo romântica, acreditando plenamente que é possível ter sucesso no combate ao crime.

À medida que o caso é desenvolvido, ambos vão percebendo a complexidade dos crimes e começam a entender que por trás de todos os assassinatos existe uma razão, um significado. Isso porque o psicopata em questão não se contenta em apenas eliminar suas vítimas; ele utiliza métodos rigorosos e sofisticados, fazendo com que o pecado da vítima seja o motivo da sua morte. Conscientes das particularidades do assassino, Mills e Sommerset passam a buscar formas alternativas de analisar tais acontecimentos; deixando um pouco de lado as investigações policiais tradicionais, os detetives procurarão respostas na literatura para tentar desvendar as mensagens do criminoso.

Além de contar com uma trama interessantíssima, o filme ainda possui um caráter inovador. Ao contrário da grande maioria de obras do gênero, “Seven” não está pautado na idéia de esconder a identidade do assassino até o final. No momento em que o público descobre quem é o psicopata, ainda restam cerca de 40 minutos para o fim do filme, o que de forma alguma provoca uma queda no ritmo. Muito pelo contrário, tal descoberta é um divisor de águas, que dá novos contornos à história; deixa-se de focar nas investigações  e passa-se a atentar para o plano do homicida.

O filme é tão bem realizado que fica difícil elogiar apenas um aspecto. Poderia falar do roteiro, da direção, da fotografia, mas prefiro comentar apenas a edição da película, curiosamente o único quesito que rendeu uma indicação ao Oscar para o filme. Optou-se por editar a narrativa, utilizando como guia os dias da semana. Tal escolha tem resultados bastante eficientes, pois ao mesmo tempo em que esclarece o público de que os eventos da história se passam em um curto período, também molda de maneira didádica o desenrolar dos acontecimentos.

Por fim, devo fazer um adendo à importância do vilão para o filme. Sem revelar o nome do ator, me limito a dizer que o pouco tempo em cena é suficiente para que o facínora entre para o panteão dos grandes personagens do Cinema. Brilhantemente construído pelo roteiro, o enigmático psicopata surge como uma figura sem passado, que objetiva somente completar seu ciclo de matanças. Sempre que aparece em cena, o espectador fica tenso, esperando o pior, haja vista a astúcia e a frieza do criminoso. Certamente, tal personagem é um dos elementos mais interessantes da história.

Com este filme, David Fincher deu uma aula de como se fazer uma obra policial de excelência, mostrando que não é necessário recorrer a fórmulas fáceis e mistérios banais para que uma produção do gênero alcance reconhecimento. Anos mais tarde, o cineasta consolidaria sua carreira com o fantástico “Clube da Luta”, prova irrefutável do seu talento na direção. Se bem que não existe prova de talento maior do que dirigir uma obra do calibre de “Seven” aos 33 anos. Este é o verdadeiro atestado do diretor.

Nota: 9

Seven – Os Sete Crimes Capitais (Seven, 1995)

Direção: David Fincher

Roteiro: Andrew Kevin Walker

Elenco: Morgan Freeman, Brad Pitt, Gwyneth Paltrow, R. Lee Ermey, Kevin Spacey

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