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Vanilla Sky

Por Daniel Senos

‘’David, Open your Eyes’’

Particularmente eu não gostei de ‘’Abre Los Ojos’’, de Alejandro Amenábar. Com atores catatônicos e nem um pouco carismáticos (incluindo a minha querida Penélope Cruz, infelizmente) o filme não me cativou nem um pouco. Ao contrário de seu remake, o qual considero muito bom, ‘’Vanilla Sky’’. Tudo o que a obra de Amenábar tinha de bom é resgatado no filme de Cameron Crowe, num exemplar feito para ser um Best-seller (estrelando Tom Cruise, Camerom Diaz e Penelope Cruz) mas consegue ter aquele ‘’algo a mais’’, um tempero colocado pelo roteiro adaptado do diretor.

Somos transportados para o mundo de David Aames Jr (um Tom Cruise inspiradíssimo), um playboy que herdou a fortuna de seu falecido pai e vive sem compromissos com a vida. O filme começa com uma gravação no despertador, com a voz de Julie Gianne (Cameron Díaz), com quem mantinha uma relação estritamente carnal, o que afeta profundamente a personagem, que nutre um sentimento maior por David. Sofia (Penélope Cruz) surge na trama, no aniversário de David, e os dois se apaixonam e vivem momentos que dizem sobre o real valor da vida (‘’Cada minuto que passa é uma chance de virar o jogo’’). Julie, desconcertada pelo que está acontecendo, oferece uma carona a David e causa um grave acidente com o carro, tirando a própria vida e desfigurando David.

A partir desse momento o filme se transforma em uma espécie de cartas fora de ordem. A edição das cenas permite que o filme seja interpretado de diversas formas, enquanto um perturbado David é esmiuçado por um psicólogo, Mccabe (Kurt Russell). Mistura-se o sonho com a realidade e à medida que o filme passa algumas cenas tomam outro significado em função dos diálogos entre as personagens. Cameron Crowe entranha em um lado obscuro da mente humana: até que ponto o ser humano, em plena sanidade de suas faculdades mentais pode discernir a realidade externa da sua própria realidade (imaginação)? Até onde os nossos sentimentos e sensações podem interferir na nossa concepção de realidade externa?

Com a temática exposta, é interessante traçar um paralelo com o argumento do sonho de Descartes: para o filósofo, que questionava todo o conhecimento obtido através de suas próprias percepções, não há como discernir as impressões obtidas durante o sono e quando se está acordado. Portanto, se as percepções são ilusórias, um corpo pode não só ter uma forma diferente do que é apresentada na realidade em que compreendemos, mas simplesmente não existir. Será que toda a trama do filme não nos remete a um complexo sonho da personagem principal?

A trilha sonora do filme é composta por artistas como Bob Dylan e Radiohead e embalam David nessa jornada no caleidoscópio que a sua vida se tornou após o acidente. Nancy Wilson assina um tema que se repete por diversas vezes durante a história, acentuando as angústias, alegrias, esperanças e desilusões de David.

Por fim, gostaria de ressaltar Tom Cruise, que realmente consegue desenvolver a personagem de forma bastante convincente, explorando todo o desespero de David em sua desventura após o acidente. Ao contrário de ‘’Abre Los Ojos’’, Penélope Cruz atua de forma mais orgânica e passional, trazendo uma riqueza à sua misteriosa personagem. A cena final de ‘’Vanilla Sky’’ nos deixa com a pulga atrás da orelha e até faz o filme merecer uma revisita posteriormente!

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